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08/12/00
Rosely Roth - Uma justa homenagem
Dizem que o destino é muito sábio e que nada acontece por acaso. Há um tempo atrás fomos procurados pela Revista Um Outro Olhar (publicação dirigida ao público lésbico). A Revista estava procurando pessoas de vários credos religiosos, para fazer uma matéria sobre Homossexualidade x Religião. E o Grupo GLS de Judeus Brasileiros contribuiu com parte do texto da matéria publicada.
Ao recebermos a edição pronta, fomos tomados por uma grande emoção. Pelo menos para nós do Grupo GLS de Judeus Brasileiros, foi uma surpresa saber que uma pessoa de nossa cultura passou por este mundo e teve a coragem e orgulho de lutar por aquilo que achava certo. Isso para nós do Grupo GLS de Judeus Brasileiros que estamos ainda num estágio inicial é um grande incentivo.
Praticamente quase não se encontra documentação sobre a trajetória dos judeus homossexuais no Brasil. Então vocês que estão lendo esta matéria podem imaginar a importância que essa matéria sobre Rosely Roth representa para nós judeus e judias homossexuais. E essa alegria que queremos compartilhar com vocês e fazer essa justa homenagem póstuma a essa grande mulher... Rosely Roth.
Rosely não tivemos a honra de te conhecer, mais esteja onde estiver, agradecemos pelo seu pioneirismo, desprendimento, coragem e humanismo.
Grupo GLS de Judeus Brasileiros
jgbr@uol.com.br
Rosely Roth
(21/08/1959 - 28/08/1990)
por Miriam MartinhoRevista Um Outro Olhar
Página 8 - Número 33 - Ano 14 Out/Dez/2000
Rosely Roth nasceu de família judia, em 21 de agosto de 1959, tendo cursado escolas judaicas e não-judaicas durante a infância e adolescência, e, posteriormente, formado-se em Filosofia (1981) pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo, onde também pós-graduava-se, em Antropologia (1985/1986), com trabalhos "Vivências Lésbicas - Investigação acerca das vivências e dos estilos de vida das mulheres lésbicas a partir da análise do funcionamento dos bares freqüentados predominante por elas" e "Mulheres e Sexualidade".
Iniciou seu contato com o movimento de mulheres, no primeiro semestre de 1981, quando começou a participar simultaneamente dos grupos Lésbico-Feminista/LF (1979-1981) e SOS-Mulher (1980-1983). Em outubro de 1981, fundou, com Míriam Martinho Rodrigues, o Grupo de Ação Lésbica Feminista/GALF (1981-1990), um grupo a princípio de continuidade do Grupo Lésbico-Feminista, cujo coletivo original se dispersara, mas que viria, no decorrer de sua existência, a desenvolver características próprias tanto em termos políticos quanto de atividades.
A partir de 1982, deixou de atuar no coletivo SOS-Mulher, vindo a dedicar-se exclusivamente ao Grupo de Ação Lésbica-Feminista (GALF) do qual foi figura de destaque seja por seus artigos, nas duas publicações da entidade - o boletim ChanacomChana (12/82 - 05/87) e Um Outro Olhar 1 (12/87 - .....) -, e pela organização de debates, com outros grupos dos Movimentos Feminista Homossexual e Negro, além de com parlamentares da época, seja por sua participação em atividades externas (manifestações, encontros, simpósios, congressos) ou por sua presença constante, publicamente lésbica, na mídia brasileira.
Entre as inúmeras atividades que realizou, por seu impacto político, destacam-se:
- A organização de uma manifestação de protesto (19/08/1983), junto aos proprietários do Ferro's Bar (o mais antigo e tradicional bar lésbico do Brasil) que não permitiam a venda do boletim ChanacomChana em seu recinto, apesar de este ser sustentado fundamentalmente por lésbicas, e que reuniu ativistas do movimento homossexual e feminista, parlamentares e representantes da OAB, com bastante destaque na mídia, e
- Duas participações (25/05/1985 - 20/04/1986) em programas da apresentadora Hebe Camargo (uma das mais populares do Brasil), em cadeia nacional, falando aberta e tranqüilamente sobre lesbianidade, com grande repercussão na imprensa e junto à própria comunidade lésbica e gay.
Rosely Roth foi a pioneira no que se convencionou chamar de "política de visibilidade" em uma época (década de 80) em que, com raras exceções, ninguém mais o fazia, aliando aparições públicas, geralmente marcantes, a uma fundamentação teórica que lhe permitia ir além do ramerrão vitímista e reformista que muitas vezes caracterizava o discurso e as atividades dos grupos sociais discriminados. As profundas crises emocionais que a levaram ao suicídio, em agosto de 1990, em nada empanam o brilho de sua trajetória política que se destacou pela coragem, pelo dinamismo e pela coerência discursiva. Na década de 90, a visibilidade ganhou as páginas dos jornais, os programas de TV e até as ruas, em manifestações de orgulho cada vez maiores e com várias pessoas dando as caras, mas, até hoje, não surgiu ninguém que superasse, em excelência, Rosely Roth com "a" ativista lésbica do Brasil. O trabalho da Rede de Informação Um Outro Olhar, em suas atuações pela saúde e direitos humanos das mulheres (em particular lésbicas) e das minorias sexuais é dedicado à sua memória. Da mesma forma, em sua homenagem, decidimos marcar o dia 19 de agosto, dia da manifestação no Ferro's Bar, chamada pelos ativistas da época de nosso pequeno Stonewall Inn, como Dia Do Orgulho Lésbico Brasileiro. Assim também prestamos nosso tributo ao Ferro's, fechado no começo de setembro (2000), que, por 38 anos, foi palco de tantas histórias políticas de amor, de tantas histórias políticas e culturais lésbicas não só paulistas como de todo país.
Nota: Este texto foi originalmente produzido para um trabalho de resgate da história de ativistas brasileiras, editado pelo grupo feminista REDEH do Rio de Janeiro, e atualizado para esta edição da Um Outro Olhar.
Míriam Martinho é tradutora e editora da revista Um Outro Olhar e do boletim Ousar Viver.
* A reprodução dessa matéria foi autorizada pela revista Um Outro Olhar.
Akiva Bronstein
akiva@uol.com.br
icq#38801562
Grupo GLS de Judeus Brasileiros
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JGBR fone: (011) 9102-1366
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Grupo Membro do World Congress of Gay, Lesbian, and Bisexual Jewish Organizations
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