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A "normalidade" geralmente está associada ao que é tido como "natural". Este conceito existe na maior parte das sociedades existentes que são caracterizadas como sendo masculinas, heterossexuais, brancas e ocidentais.

Esta construção cultural relega a homossexualidade a um patamar inferior, principalmente quando se analisa sob o enfoque biológico-reprodutivo-cristão.

A normalidade está associada à cultura política do dominante que é baseada na construção do poder. Assim, muitos acham "normal" e perpétuo que os excluídos socialmente estejam sempre numa categoria aquém, mesmo em maior número, como é o caso das mulheres em nossas sociedades.

A fim de entendermos como a "normalidade" foi construída culturalmente é preciso que revisitemos a nossa história, contextualizando-a devidamente.

A melhor estratégia que vem sendo adotada pelos homossexuais em vários países, com a finalidade de serem inseridos no contexto social, sem que essa inserção tenha a conotação de uma concessão por parte do que está estabelecido como normal, isto é, por parte dos heterossexuais , é a prática da visibilidade. A visibilidade implica em assumir-se homossexual, e quanto mais visíveis, mais comuns se tornarão para os/as demais. Partindo do pressuposto de que o comum é permitido, os homossexuais atingirão a condição, ou status, de "normais".

Talvez, os eventos que mais chamam a atenção para essa estratégia sejam as chamadas Paradas do Orgulho Gay (os Gay Pride), que reunem milhares de homossexuais e simpatizantes que defendem o direito de serem respeitados/as como cidadãos/ãs pertencentes a diversidade sexual existente.

Isso implica em serem respeitados em todos os âmbitos da sociedade e por isso, a defesa e apoio que os homossexuais dão e fazem a iniciativas, como a da ex-Deputada Marta Suplicy (PT-SP), que apresentou o Projeto de Parceria Civil Registrada – PCR à câmara para ser aprovado e efetivado, propiciando a institucionalização do que se convencionou traduzir erroneamente por "casamento gay". Outro exemplo que pode ser citado é o das Leis Municipais, em várias partes do país, que não permitem a demissão de qualquer pessoa de acordo com a sua orientação sexual. Isso é um avanço no reconhecimento da cidadania do/da homossexual que cumpre com suas obrigações diante do Estado onde, somente agora, começa a exercer a contrapartida por iniciativa de escolhas políticas acertadas, de pessoas que representam os interesses de toda a comunidade e, não somente de uma parcela dela.

 

 


1996/2007 - Roberto Luiz Warken
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