@
Professor@ GLTTB
por
Roberto
Warken
Nota:
O símbolo "@" (et, ou arrôba) aqui
empregado designa as possibilidades de leitura
conforme o gênero do leitor ou da leitora, assim, ao
invés de usar " professor e professora",
usarei "professor@", para "aluno e
aluna", usarei "alun@", "leitor e
leitora", usarei leitor@.
Profissional
Respeitad@
Profissionalismo
e Respeito, acima de tudo. Talvez estas sejam as
melhores características para uma pessoa com
orientação GLTTB diante de uma escola. A escola é o
ambiente para o desenvolvimento do processo educativo
e nela é possível encontrar as diversas sexualidades
que constituem os seres humanos, porque não
podemos dissociar o ser de sua sexualidade.
Portanto, a competência e qualificação para o
exercício da atividade deve ser mais importante que a
orientação sexual da pessoa.
Sexo e Sexualidade
O ser humano é sexual
e sexualizado. Possui sexo e sexualidade. O sexo tem a
ver com o seu aparelho sexual (genitália, etc.),
enquanto a sexualidade está diretamente relacionado
com a forma como cada um se relaciona com os seus
desejos sexuais, objetos de atração, etc. e esta se
processa inteiramente em nível cerebral. Por isso é
possível afirmar que o sexo localiza-se entre as
pernas e a sexualidade entre as orelhas das pessoas.
A Mediação
A luz de Vygotsky, @
educador@ é @ mediador@ entre a informação @s
alun@s, e o conhecimento. @ educador@
é o instrumento de filtragem e interpretação das
informações estimulando a reflexão e a pesquisa,
por parte d@s alun@s. Se @ profissional
estiver ciente e cumpridor@ deste processo el@ é um@
educador@. Claro! Não vamos aqui falar sobre pessoas
iluminadas ou medíocres na atividade da educação.
Nosso assunto aqui é bem específico, e apenas estou
dando algumas poucas pinceladas.
A Sexualidade d@
Professor@ na Escola
Como já foi dito,
não há como dissociar a sexualidade da pessoa.
Fingir comportamentos que não lhe trazem qualquer
conforto, mas estão em conformidade com o que a
maioria espera de você é uma opção d@ profissional
da educação, seja porque prefere manter na
privacidade sua orientação, seja porque não percebe
um ambiente acolhedor, respeitador em relação a
pessoas com orientação sexual distinta do que está
hegemonicamente estabelecido como padrão, como norma,
ou seja, um comportamento heterossexualizado. Desta
forma, é uma questão de manter um distanciamento
necessário a manutenção do trabalho.
Socializando sua
Orientação GLTTS
Por outro lado há
pessoas que preferem deixar muito claro, a todas as
pessoas, desde o início de sua jornada como
profissional do ensino em determinada instituição,
sua orientação sexual. A forma como conduzirá a
socialização desta informação varia de pessoa para
pessoa e de situação para situação. Por isso é
bom saber já de início como é que a escola
"faz a leitura" das orientações sexuais
distintas do hegemonicamente construído
histórico-culturalmente como "normal" e
"natural". Ser uma pessoa com orientação
GLTTB é COMUM é NATURAL e é NORMAL.
Se souber aproveitar
as devidas oportunidades que aparecerem será
possível discutir com @s discentes e docentes, além
do corpo diretivo-administrativo sobre a diversidade
sexual humana, Direitos Humanos e Direitos Sexuais.
Limites e Respeito
Assim como
(raramente) se pergunta a uma pessoa se ela é
heterossexual por se constituir numa invasão da
privacidade alheia, perguntar se você é GLTTB,
também é.
A sua sexualidade só
lhe diz respeito. Aliás, os limites têm que estar
muito claros. Você é um@ profissional da educação
que vende sua força de trabalho em troca de uma
determinada quantia de dinheiro, que as pessoas chamam
de salário.
Uma forma salutar de
lidar com isso é fazendo o mesmo com as demais
pessoas, ou seja, a sexualidade delas não lhe diz
respeito, a não ser que haja algum interesse
homoafetivo, homoerótico, enfim homosocial em outrem.
Por uma Educação
Sexual Inclusiva
Verifique como a
escola lida com o tema transversal "Educação
Sexual" (nos Parâmetros Curriculares Nacionais
é usado o termo Orientação Sexual, com o qual eu
não concordo), se @s docentes estão se reunindo para
trabalhar as questões da sexualidade em suas
disciplinas, se estão buscando ajuda na secretaria
municipal, ou estadual sobre está temática, ou até
mesmo se necessitam de uma capacitação que lhes
propicie a adequação e segurança necessárias para
lidarem com o assunto em sala de aula. De qualquer
forma, mantenha-se por perto quando possível e
estimula a discussão de modo que seja efetivada na
escola uma Educação Sexual Inclusiva.
A Educação Sexual
não é uma prerrogativa d@ professor@ de Ciências ou
Biologia. Ela está contida em todas as disciplinas. A
questão é que nem sempre membros do corpo
docente querem lidar com educação Sexual porque mais
cedo ou mais tarde terão que lidar com suas próprias
sexualidades.
Plano
Político Pedagógico e Currículo Escolar
Para que haja uma
Educação Sexual inclusiva é necessário que a
direção da escola, juntamente com o corpo discente,
inclua a Educação Sexual no PPP (plano político
pedagógico) e no Currículo Escolar.
Por isso, tanto a
capacitação correta quanto a aquisição de material
didático inclusivo deve ser observado com muita
atenção.